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Hip Hop do Bem

Por Fernando Calmon

Conforto de marcha é uma qualidade que todo motorista aprecia e os fabricantes se empenham em atender da melhor forma possível. Em geral, há um dilema: o carro tem suspensão macia e inclina demais em curvas, perdendo estabilidade ou, ao contrário, é bem firme, eficiente em curvas, porém bastante desconfortável em pisos irregulares. Para modelos mais caros já existe suspensão ativa hidráulica, mas, além do preço elevado, o sistema tem respostas lentas em termos de absorção das vibrações da superfície de rodagem.

A fim de diminuir o tempo de resposta pode-se apelar para o controle eletromagnético. No entanto, essa tecnologia só era usada em carros customizados, em especial nos EUA. Nas exibições, chamam a atenção porque o motorista pode controlar cada roda individualmente. É motivo de diversão porque os automóveis dão saltos, se contorcem e simulam os trejeitos humanos ao “dançar” ao som de músicas no ritmo hip-hop.

A brincadeira inspirou a ideia de revolucionar as suspensões convencionais. Um grupo da Universidade de Eindhoven, na Holanda, liderado por Bart Gysen em trabalho de doutorado, apresentou recentemente o protótipo de uma suspensão de controle eletromagnético. A ideia de transformar os movimentos do hip-hop em algo mais útil foi apoiada pela SKF, empresa sueca especializada em rolamentos e mecatrônica, e pela BMW que cedeu um sedã 535i para o programa de testes.

O sistema ocupa o mesmo espaço de um amortecedor convencional. Inclui mola helicoidal passiva, um poderoso atuador eletromagnético, unidade de controle e baterias para que tudo continue funcionando em caso de falha elétrica. Entre os objetivos de desenvolvimento está o aproveitamento das vibrações causadas pela superfície de rodagem para gerar eletricidade e manter as baterias carregadas.

Segundo Gysen, o consumo de energia para o conjunto funcionar é modesto. Mesmo se instalado nas quatro rodas, o pico de consumo é de 500 watts, metade do requerido pelo sistema de ar-condicionado. Uma suspensão hidráulica ativa consome quatro vezes mais energia. No estágio atual, o BMW de teste recebeu um par desses dispositivos nas suspensões dianteiras, trabalhando, entretanto, de forma independente. Um dos desafios é fazer a integração do sistema e garantir o máximo de eficiência.

Quando tudo estiver pronto, a melhora na qualidade de rodagem será superior a 60%. Uma das aplicações mais convenientes alcançará as ambulâncias, que poderão transportar pacientes em velocidade maior e sem a perturbação das vibrações provenientes da pavimentação.

Nos automóveis, o conforto de marcha se tornará excepcional. Os passageiros não terão o incômodo da inclinação da carroceria em curvas, quando o sistema estiver aplicado nas quatro rodas. Manobras evasivas ou de desvio brusco permitirão ao motorista manter o controle do veículo, sem que precise ser classificado como superdotado ao volante ou com habilidade de piloto de competição.

A SKF, que financiou todas as pesquisas e o processo de aperfeiçoamento em curso, iniciou os trâmites de patente e pretende oferecer a nova suspensão de controle eletromagnético para qualquer fabricante interessado. Supõe-se a preço menor que as suspensões ativas atuais.

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fernando@calmon.jor.br e www.twitter.com/fernandocalmon

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  Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 80 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil e Mercosul do site just-auto (Inglaterra).  
     
 

 
         
         
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