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Mudar, Sem Culpa

O Salão do Automóvel de Genebra, em sua 81ª edição que se encerra no próximo dia 13, finalmente “mudou o disco” em relação às últimas exposições internacionais. A ênfase excessiva em modelos alternativos acaba cansando pelas repetições. O público e os jornalistas já sabem que todos os fabricantes estão comprometidos com o futuro do planeta e as ofertas de híbridos em vários níveis, além de elétricos a baterias, são lugares-comuns. As indefectíveis inscrições nas laterais dos veículos sobre emissões de gás carbônico (CO2) em g/km continuam, mas em menor número.

Essa ideia fixa sobre alternativas levou a Renault a uma tremenda saia-justa durante o Salão. Depois de demitir três diretores e insinuar que chineses queriam se apossar de seus segredos elétricos, em investigação iniciada em agosto passado, admitiu o erro, alegando ter sido vítima de uma armadilha interna. Há quem acredite que nada havia de inovador que justificasse o nervosismo e o incidente diplomático com a China, em razão do governo francês ainda possuir 15% do capital da empresa.

Claro, híbridos permanecem em evidência, a começar pela estreia do cupê esporte de quatro portas Panamera. O fabricante, aliás, mostrou a réplica do Lohner-Porsche Semper Vivus, primeiro híbrido em série, que surgiu em 1900, há 111 anos. A Toyota ampliou a linha Prius para uma versão de sete lugares e apresentou quase pronto o compacto Yaris híbrido. Até a Land Rover tem um diesel híbrido plugável, para 2013.

O novo subcompacto Picanto cresceu em dimensões. Será o primeiro carro atual com motor três-cilindros de 1 litro a chegar ao Brasil, além do compacto Rio todo reformulado. A Fiat importará o Freemont, versão do mexicano Dodge Journey, com novas rodas, interior melhorado e retoques externos. O crossover com emblema italiano terá motor de quatro cilindros, ficando o V-6 para o modelo original. Já o Fiat 500 mexicano, mais barato, só mesmo em junho.

Em Genebra, estreou a nova geração do Peugeot 308, que também será feita na Argentina. A parte traseira lembra a do o hatch Renault Mégane II. Simultaneamente, apresentaram-se a perua, o cupê-cabriolet e o GTI. O estreante Chevrolet Cruze hatch é o mesmo a ser produzido em S. Caetano (SP).

A Audi mostrou a visão da próxima geração do A3, numa versão de dois volumes e meio, de quatro portas (Sportback). O modelo impressionou pelas linhas, embora ainda indefinidos faróis, lanternas e maçanetas. O Tiguan 2012 alinhou-se ao estilo da família VW. Simpático é o conceito de uma Kombi revivida – Bulli, para
os alemães –, exibida numa versão elétrica de seis lugares sobre a nova arquitetura subcompacta do grupo, que se chamará Lupo. Giorgetto Giugiaro, nos primeiros trabalhos para a VW, exibiu o misto de hatch e monovolume Go! (sonoridade em inglês semelhante a Gol, coincidência?) e o cupê Tex, porte do Golf.

Interessante o carro-conceito Ford B-Max, monovolume derivado do novo Fiesta: não tem coluna central e usa portas corrediças reforçadas para contornar o desafio técnico dessa solução.
O carro do salão foi o superesporte cupê Lamborghini Aventador LP700-4, contraponto ao estranho Ferrari FF, de quatro lugares e tração integral.

RODA VIVA

OUTRO recorde de vendas no mês passado: melhor fevereiro de todos os tempos, com 274.000 unidades entre autos e comerciais leves/pesados. Em relação a 2010, crescimento de 24%, embora o Carnaval daquele ano tenha ocorrido em fevereiro, o que traz menos tráfego às lojas. Até agora, a restrição de crédito não afetou a comercialização nem de usados.

SÉTIMA geração do Audi A6, ainda este ano no Brasil, sofreu uma das maiores evoluções desde o surgimento em 1968. Distância entre eixos, de nada menos 2,91 m, garante amplo espaço interno (perto do A8). Apesar de 7 cm mais largo, a aerodinâmica melhorou (Cx de 0,26; antes 0,29). E, usando alumínio, o peso baixou de 1.640 kg para 1.575 kg.

DESEMPENHO em estradas alemãs do A6 3.0 TFSI Quattro S Tronic (dupla embreagem), de sete marchas e 300 cv, é coisa séria. Além do silêncio a bordo, a precisão de direção, freios e comportamento em retas e curvas, mais a tração nas quatro rodas, permitem rodar horas sem cansar. A direção se autocorrige suavemente, se o motorista sair da faixa sem sinalizar.

VOLVO S60 demonstra que a marca sueca deseja ir além da segurança tradicional. Desenvolveu estilo mais atual, sem deixar de lado o desempenho. O hoje raro motor 6-cilindros em linha, notável pela suavidade, de 304 cv, é transversal dianteiro, um feito de engenharia. Até 35 km/h freia sozinho a fim de evitar atropelamento ou colisão.

ADERÊNCIA de pneus em pista molhada é apreciada, em especial no Brasil, sujeito ao regime tropical de chuvas. O Goodyear Excellence AquaMax melhorou em 13% a dirigibilidade nessa condição, 3% no limite de aquaplanagem em retas e de 9%, em frenagens. Lançou também o FuelMax de baixa resistência ao rolamento e menor consumo de combustível.
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fernando@calmon.jor.br e www.twitter.com/fernandocalmon




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  Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 80 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil e Mercosul do site just-auto (Inglaterra).  
     
 

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