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      | Emílio Figueira
               
 
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O Passado e o Fim de Muitas Relações Amorosas

Falando de relações amorosas, você já teve ciúmes – para não dizer medo – do passado da pessoa que no presente está ao seu lado? Se disse não, você certamente seria reprovado na máquina da verdade que lhe diria: “Essa resposta é falsa!” Perderia assim o prêmio em dinheiro dado pelo bondoso Silvio Santos que gosta de massagear o seu próprio ego, jogando dinheiro para sua plateia.

Brincadeiras à parte, o que estou falando é sério. Conheço muitos casais de namorados, noivos ou casados que gastam mais tempo pensando sobre as relações passadas do outro em vez de viver o que há de bom no presente. Todos nós temos uma história. Momentos vividos de acordo com a idade e processo de desenvolvimento psíquico e social. Os amores fazem parte disto. Raros são os que já logo de cara encontram o grande amor de sua vida e com ele passam toda a sua existência. A grande maioria têm várias passagens por várias pessoas, sejam namoricos, sejam relacionamentos sérios. Até chegarem aos pilares do matrimônio.

Mesmo assim, tantas relações acabam entre um e trinta anos de casamento. Há muitos hoje no segundo, terceiro ou quarto casamento. Tenho um conhecido que esta no sétimo. Desculpe o meu ponto de vista, mas isso é uma banalização dos valores. Faltam homens e mulheres com peito (força de expressão!) para entrarem numa união dispostos para o que der ou vier; diante das ventanias que consequentemente soprarão, afinal um casal são duas cabeças pensantes, dois seres humanos com vontades e gostos diferentes; o que era tolerável – talvez para não magoar um ao outro durante o namoro e que não mais é -, agora é realidade na rotina do casal.

O desejo é sempre querer mudar o outro segundo a nossa vontade; isso é mais fácil e interessante do que aceitar o outro como ele é. A nossa errônea mania de sempre querer determinar o comportamento das pessoas a nossa volta. Com isso, vem os conflitos e se separar talvez seja uma fuga mais fácil do que se tentar chegar a um acordo. Aliás, hoje tornou-se comum a ridícula frase: “A gente casa, se não der certo, a gente separa!” Ora, já casam planejando o fim!!! Claro que muitos casamentos terminam por motivos bem mais sérios, não vou cometer o velho erro de generalização.

Conheci um casal que já namorava há uns dois anos. Qualquer probleminha entre eles, era motivo para trazerem à memória desde a primeira briguinha ou os motivos dos primeiros desentendimentos, passando um a um novamente, até chegar ao atual. Pergunte-me se esse casal chegou ao matrimônio os se estão juntos até hoje. Claro que não. Nenhum relacionamento saudável pode sobreviver há tantos “Vale a pena ver de novo”! Nos relacionamentos realmente saudáveis e maduros, os conflitos quando resolvidos, são realmente resolvidos. O casal volta à rotina e o que passou, passou. Não voltará mais para a pauta das próximas batidas de frente. Poderão ser sim, uma experiência acumulada para se evitar erros iguais ou se inevitáveis que ocorram, serão solucionados mais facilmente por já terem passado por algo semelhante.

Mas por que então temos tanto medo da figura de um ou uma “ex” da pessoa que está ao nosso lado? Se você pensou rápido, respondeu-me: “São apenas ciúmes… E ciúmes é natural no ser humano”. Eu rebato: “Será?” Concordo que o ciúme é um sentimento natural no ser humano, desde que seja em um nível aceitável, pois quem ama cuida do que é seu – e etimologicamente ciúmes significa “zelo”. Mas ciúmes do que já passou? No fundo, isso revela as inseguranças pessoais, um amor imaturo querendo ser exclusivista, possessivo, egoísta, dominador. O medo que a pessoa amada tenha uma recaída pelo seu próprio passado. Ao mesmo tempo, temos um sentimento quase que infantil pelo “outro” ou a “outra” que passou pela vida da pessoa antes que nós.

E, canalizando, imaginando tantas coisas que nos fazem sofrer sem um real motivo, esquecemos de enxergar o óbvio. Agora somos nós quem está ao lado dele ou dela. O “ex” já teve sua oportunidade e deixou escapar. O passado de cada um é o passado de cada um. Não vai mudar, não temos como apagar. E aceitá-lo sem temê-lo é tanto uma prova de amor para com o outro, quanto uma prova de segurança para nós mesmos. Têm pessoas que focam tanto nessa paranóia que esquecem de viver o presente e planejar o futuro ao lado de quem ama. Às vezes essa paranóia manifesta-se em tantas tentativas de controlar o outro, que pode cansar, desgastar a relação. E deixamos de ser o atual, tornando-se mais um personagem da história pessoal de quem se vai, pois a fila anda. E atualmente, como anda!

Mário Quintana, meu poeta preferido, estava mais uma vez certo quando escreveu: “O passado não reconhece seu lugar, está sempre presente!”


Emilio Figueira
www.emiliofigueira.com.br



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  Emílio Figueira é escritor, artista, jornalista, psicólogo, psicanalista, vencedor de prêmios literários, e convive com uma deficiência devida a falta de oxigenação no cérebro durante o parto, ocasionando paralisia cerebral com problemas de coordenação motora e fala. Para saber mais sobre o Emílio, leia a nossa entrevista AQUI.  
     
 

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