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      | Emílio Figueira
               
 
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O Fim do Macho

Na crônica anterior (Mulheres de trinta (As Balzaquianas da vez!)), comentei que o homem não pode mais continuar conservando velhos costumes machistas; mas também ainda não aceitou o seu novo perfil de pessoa sensível. Estar no meio do caminho recheado de pensamentos, sentimentos, emoções, inseguranças como um liquidificador dentro de sua cabeça. Tenho visto o homem fragilizado e confuso com seus sentimentos e atitudes em relação à sua vida afetiva, profissional e sexual, variando entre valores antigos que determinavam e definiam sua conduta como: força, determinação, segurança, competição e os valores que lhe estão sendo solicitados agora como: sensibilidade, cooperação, maior comprometimento com as relações afetivas e com os filhos.

Vários colegas da Psicologia dividem o sexo masculino em quatro categorias: o “homem menino” – os que sentem o mundo como uma coisa perigosa torna-se superdependente da mulher; o “homem durão” - buscando segurança através do endurecimento de sua vida emocional, por isso jamais consegue lidar com ela; o “homem ciumento” – possessivo e controlador, precisando ter uma mulher submissa aos seus pés para se sentir seguro e o “homem executivo” – eterno escravo do sucesso, busca em sua ascensão profissional, no status e no acúmulo de bens materiais a confirmação de seu poder e de sua competência.

Emocionalmente, o homem já descobriu que não tem mais nada haver com a imagem de força e poder que a sociedade lhe atribuiu por séculos, quando se escondia de si próprio, projetando sua fragilidade na mulher. Ela era frágil, ele a protegia, só que na verdade se amparava nela. E quando a mulher resolveu buscar sua independência, revelando publicamente sua real força, o chamado de forma prejorativa como “sexo frágil”, sábia e discretamente colocou isto em evidência. Começamos a ver inversões de papéis, com mulheres buscando produções independentes, utilizando os homens como reprodutores, ou cuidando dos afazeres domésticos, enquanto a mulher sai para trabalhar. Valores tais como casamento, família, maternidade, paternidade eram condições básicas para se constituir uma família e para ter filhos. A mulher hoje, independente financeiramente e também, por alguns motivos, decepcionada no relacionamento, não se constrange mais em ter filhos sem maridos. Muitos homens estão em casa se dedicando aos afazeres, requisitados para atuar em tarefas, onde poucos atuavam, como a educação dos filhos, por exemplo. O mercado de trabalho tem muito a ver com isto. Muitos homens estão desempregados, enquanto as mulheres estão trabalhando fora de casa.

O homem que depositava o “talento” em seu papel sexual, talvez o seu considerado melhor atributo, cabia a ele "dar" prazer à mulher, pois lhe era permitido viver a sexualidade sem restrições. A mulher cabia se conformar com a relação que o homem lhe impusesse, onde muitas fingiam orgasmos, outras se sentiam frias. Essa diferença sexual entre o homem e a mulher possivelmente tem sua raiz no que Freud explicou como: a menina ao perceber sua diferença biológica, em relação ao menino, interpretou isto como um defeito, uma falta e o menino como um traço de superioridade. Intitulada por Freud como “Inveja de Pênis”, esse sentimento é acompanhado por uma sensação de perda pelo fato de ela não ter esse órgão. Talvez por se sentirem erroneamente inferiorizadas, as mulheres permaneceram submissas por longos e longos anos. Mas hoje, à medida que a mulher tem mais liberdade para impor suas necessidades, acaba amedrontando o homem.

Sempre foi difícil para o homem falar de seus sentimentos, abrir seu coração, compromissar-se afetivamente, pois isto, em sua concepção, poderá torná-lo frágil e passível de ser dominado pela mulher. Mas hoje, ele precisa aceitar nas mulheres, certos padrões de comportamento, que faziam parte de seu desempenho no passado. Desde os gestos mais simples como a mulher tomar a iniciativa de aproximação ou convidá-lo para um programa. Sempre que a figura feminina toma uma iniciativa, o homem fica desconcertado, senti-se perdido ou até perde o interesse por aquela mulher. Teme entregar-se, num misto de sentimentos de mágoa, raiva e amor.

E a Psicologia pode explicar. Isto tem a sua raiz num momento muito precoce de sua vida, onde o menino, para tornar-se homem, precisa abandonar o tenro colo da mãe e identificar-se com o pai, um processo quase sempre feito às duras penas, onde por muitos e muitos anos o homem precisou reprimir a sua sensibilidade em velhas citações feitas - "Não chore, não seja dengoso, na ausência do seu pai você é o homenzinho da casa, você deve cuidar de sua mãe e de sua irmã" –, atribuindo-lhe muito peso para sua responsabilidade e carga psíquica. Os cuidados que a mãe têm com o menino são questionados e até rivalizados pelo pai. Surgem sensações de abandono, solidão e inveja (pois sua irmã ou prima não precisam obedecer a nenhuma dessas exigências ou responsabilidades) e de mágoa em relação à mãe e ao pai. São marcas difíceis que todo homem precisa trabalhar dentre de si. Entregar-se, portanto, é amedrontador, porque ele está repleto destas vivências e seus significados culturais. Entregar-se pode significar reviver o abandono.

Talvez essa caminhada repleta de mudanças seja mais fácil se o homem atual, na busca de seu equilíbrio psíquico, empenhe-se no desenvolvimento de seu emocional. E as mulheres podem nos ajudar de várias maneiras. No campo afetivo, compreender que somos menos amadurecidos neste aspecto, colaborando para que isso ocorra, trocando idéias, opiniões, posicionando-se, defendendo sua individualidade; trazendo-nos cada vez mais para a convivência com os filhos, mostrando a nossa necessidade na participação e educação e afetividade deles e encorajá-nos a demonstrar nossos sentimentos verdadeiros e mais profundos. Na vida sexual se a mulher se permitir a buscar seu próprio prazer, ela estará ajudando o casal. E no campo profissional, temos que reconhecer que a mulher tem qualidades importantes como: persistência, astúcia, intuição, praticidade, capacidade organizacional que podem ajudá-los muito profissionalmente, confiar nisto é importante.

Resumo da ópera. Nós homens até para nos auto-conhecemos e nos auto-descobrimos precisamos das mulheres. Graças a Deus. E quem não concordar, que vá reclamar com Ele, certamente a única figura masculina bem resolvida e sem problemas no Universo!


Emilio Figueira
www.emiliofigueira.com.br



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  Emílio Figueira é escritor, artista, jornalista, psicólogo, psicanalista, vencedor de prêmios literários, e convive com uma deficiência devida a falta de oxigenação no cérebro durante o parto, ocasionando paralisia cerebral com problemas de coordenação motora e fala. Para saber mais sobre o Emílio, leia a nossa entrevista AQUI.  
     
 

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