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      | Emílio Figueira
               
 
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Tirando férias do cotidiano

Segunda-feira, uma das minhas mais queridas amigas mandou-me um e-mail cobrando a minha ausência, o meu silêncio. Fazia algumas semanas que eu não teclava com ela, depois de uma intensa amizade, trocando praticamente duas mensagens por dia. Embora já uma grande amiga, nossa amizade ainda é nova, coisa de meses. Ela não sabia ainda que tenho esse hábito de às vezes me isolar de tudo e de todos. Não por algum problema tipo depressão ou algo semelhante. Mas sim para pensar, refletir sobre minha carreira e produzir. Como diz um amigo de infância, “cabeça de psicólogo é diferente mesmo!”

Esse é um privilégio de poucos. Olhando pelas ruas, vejo todos caminhando apressadamente. Carros incontáveis disputando espaços nas vias. Em todas as situações, todos estão correndo contra o tempo, cumprindo horários, tendo que ganhar a vida, pagar contas, sustentar casas, filhos. Muitas vezes, seus ganhos não são suficientes para as necessidades mais básicas. Quantos milhares de desempregados, muitos em situações de desesperos, situações de fome e mesmo de miséria. O cotidiano dessas pessoas passou a ser uma forma mecânica de se viver; são como engrenagens humanas sem noção de si mesmo, com um psiquismo quase que adormecido sem condições de amadurecer afetiva e cognitivamente. Porque estudar e progredir para a maioria dessas pessoas é uma verdadeira utopia alimentada por muitas formas de demagogias das esferas sociais e políticas.

Sim, eu costumo tirar férias do cotidiano. Esses períodos de reclusão são importantes, além de ser um bom exercício me recuperar o estresse da vida moderna. Por várias vezes, paro, repenso minhas atividades, o que é bom, o que não é. O que vale a pena continuar fazendo o que está sendo apenas como dar murro em ponta de faca. Com isso, já experimentei várias atividades: poeta, escritor, jornalista, divulgador científico, artista plástico, dramaturgo, cursei Psicologia, trabalhei por algum tempo como cientista, doutorei-me em Psicanálise. Somando tudo, virei um professor universitário. E todas essas minhas “aventuras profissionais”, proporcionaram-me fazer inúmeros cursos, conhecer e conviver com os mais variados tipos de seres humanos.

Confesso que em todas as atividades sempre atuei de forma apaixonante e intensa como quem se entrega há um amor. Acho que é por isto que as pessoas gostam do que produzo. Certa vez, uma professora disse que sou um polimata! Fui procurar saber o que significa: polimata é quem se destaca em vários campos, particularmente nas artes e ciências ao mesmo tempo, fazendo ligações entre elas. Ainda bem, a professora não me chamou de homem das cavernas...

Conforme a época, essas profissões retornam ao meu cotidiano. Atualmente, volto ao jornalismo na função de cronista; mas também estou curtindo voltar a escrever contos e rascunhar meus futuros romances e novelas literárias. Com isso, posso passar o dia em paz na minha residência escrevendo, ouvindo uma boa música, refletindo, lendo livros e revistas. Não preciso sair no cotidiano, enfrentar trânsito, chefe e colegas de trabalho, cumprir horário. Uso o meu uniforme preferido de trabalho: camiseta leve, bermuda e chinelo. Meu computador fica na sala de estar. Mesmo tendo essas, digamos facilidades profissionais, tenho minha rotina de horários de atividades, pois sempre gostei de organização. Aliás, a melhor coisa que o Positivismo nos deu, foi a frase em nossa bandeira: “Ordem e Progresso”!

Tenho a plena consciência que sou um privilegiado por viver assim. Deus além de ter me abençoado com sabedoria para o meu desempenho profissional, deu-me também condições financeiras e uma ótima e carinhosa estrutura familiar para ter a vida que tenho. Por tudo isto, serei eternamente agradecido a Ele.

Mas também tenho consciência que toda a multidão que descrevi acima, raramente terá a oportunidade ou a iniciativa de parar de vez em quando para reavaliar seu cotidiano, traçar novas metas, planejar meios de progredir, mudar ou deixar de lado as coisas que lhes fazem infeliz. Para eles, a grande engrenagem continuará rodando freneticamente. E quem não acompanhar seu ritmo, será esmagado pela vida. Infelizmente!

Acabo de escrever uma crônica sobre mim mesmo. Agora essa minha amiga saberá mais uma de minhas manias. A de tirar férias do cotidiano para – usando termos da própria Psicologia -, assimilar os fatos, elaborar pensamentos, digerir experiências acumuladas. Somando tudo o que falei das minhas manias, acabo de confirmar o que o meu outro amigo diz: “Cabeça de psicólogo é diferente mesmo!”

Emilio Figueira
www.emiliofigueira.com.br


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  O lapeano Emílio Figueira é escritor, artista, jornalista, psicólogo, psicanalista, vencedor de prêmios literários, e convive com uma deficiência devida a falta de oxigenação no cérebro durante o parto, ocasionando paralisia cerebral com problemas de coordenação motora e fala. Para saber mais sobre o Emílio, leia a nossa entrevista AQUI.  
     
 

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